Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Carta de Gratidão

"Nas noites em que só me vejo, experimentando relento e fome, tu me descobres no abandono e silenciosa beija-me as chagas morais, sem testemunhas, no diálogo mudo que entre nós se faz. Quando sou o pequenino roto que te estende as mãos vazias, clamando a moeda que resgata o naco de pão indispensável ao corpo frágil, vejo-te como estrela de esperança a cruzar os passos meus, perdidos nas vielas das cidades, resentido da ausência da mãezinha que já não me acalenta as horas. Quando a velhice toma-me as células maceradas pelas múltiplas lágrimas do esquecimento, dos amores já passados e agora convertidos em lembranças amargas, vens tu, amiga de última hora, encontrando-me assim, de olhos embaçados e lábios murchos na desilusão dos anos avançados, trazendo-me um raio de alegria a jorrar luz sobre a alma combalida. Dás-me pão, leite, decência, carinho, compreensão, cobertor, teto e um coração que refulge em bondade. Somos irmãs de um mesmo caminho, filhas da Lei do Pai. Se estou inscrita no presente dos homens, és o futuro que já não se distancia e faz-se verdade paulatina em seus sentimentos, fazendo-me vislumbrtar o tempo em que feliz, partirei da Terra, sob a misericórdia de Deus. Grata a ti, irmã Caridade, deixo-te o meu coração em efusão de eterno amor. Tua irmã, a Necessidade". (Espírito: Scheila, psicografada por Rui M. Diamantino, NEFA).

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